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Assalto a rinha causa uma morte em Portão

Homem tentava escapar do ataque de quadrilha, quando levou tiro nas costas

Sabendo que uma rinha de galos faria circular grandes apostas em um sítio em Portão, no Vale do Sinos, um bando viu na atividade ilegal um alvo fácil para o assalto: as vítimas não poderiam sequer prestar queixa à Polícia Civil. Encapuzados e armados com pistolas os cinco assaltantes protagonizaram 15 minutos de terror na propriedade rural na Estrada da Cachoeira, no começo da tarde de ontem. O autônomo Juliano Aírton Bittencourt, 34 anos, morreu ao levar um tiro nas costas.

Conforme a Polícia Civil, o ataque ocorreu por volta das 13h. Os assaltantes desembarcaram na área rural, já dando demonstrações de violência. O proprietário da área, que diz ter arrendado o local para o promotor da rinha, surpreendeu-se com a truculência do bando. Ele trabalhava na terra, próximo à casa onde ocorria a atividade, quando a quadrilha invadiu a casa.

– Eles chegaram gritando que eram da polícia. Primeiro chegou um de moto e atrás vieram mais quatro em uma Montana. Entraram atirando. Havia umas 50 pessoas – relata a testemunha.

Além de disparar para atemorizar o público, os ladrões agrediram os frequentadores com coronhadas e facas. Pelo menos seis pessoas ficaram feridas. Ao tentar escapar das agressões por uma janela, o autônomo levou um tiro e caiu no matagal do lado de fora do galpão. Em seguida, a quadrilha fugiu com o dinheiro das apostas, além de documentos dos frequentadores. A Polícia Civil estima que cerca de R$ 50 mil tenha sido levado.

– A ação foi muito violenta – definiu o inspetor Genuíno Duarte, da equipe volante.

rinha
Policiais civis buscam pistas em rinhadeiro, que havia atraído dezenas de frequentadores no feriado

Polícia encontrou galos e registros de apostas

Na tentativa de esconder as evidências de uma atividade ilegal no galpão, os frequentadores recolheram seus galos e deixaram a área. Eles ainda levaram Bittencourt para o hospital mais próximo, em Estância Velha, mas a vítima não resistiu. Na Delegacia da Polícia Civil em Estância Velha, eles apresentaram a versão de que o ataque ocorreu durante uma festa em família. Mas a equipe volante da Polícia Civil quis saber detalhes da história e em vez de uma comemoração familiar encontrou a rinha.

Além de dezenas de galos, eles flagraram uma miniarquibancada, gaiolas numeradas, registros de apostas e medicamentos para os animais.

A Brigada Militar fez buscas na região e encontrou o veículo usado no assalto abandonado em São Sebastião do Caí, no município vizinho de Portão. A Polícia Civil busca pistas sobre o bando.

A vítima

– Casado e pai de um menino de cinco anos, o autônomo Juliano Aírton Bittencourt, 34 anos, é descrito por vizinhos como um homem quieto e trabalhador
– A família dele dirige uma pequena fábrica de sapatos, em Novo Hamburgo

Atividade sob investigação

Segundo o dono da área, na Estrada da Cachoeira, as rinhas eram promovidas pelo menos duas vezes por mês, sem data definida. Ele admitiu que sabia do que se passava, mas preferia deixar a responsabilidade para o inquilino. A Polícia Civil intimará os suspeitos de serem os promotores da rinha para depoimento. Eles poderão responder por maus-tratos e crueldade contra animais, por exemplo.

– Rinha de galo é ilegal e ali era um local de apostas. Vinha apostador até de Caxias do Sul – detalha o inspetor Genuíno Duarte.

Fonte: Jornal Zero Hora, 13 de outubro de 2010

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